Home / DESTAQUE / Grupo especial reforça policiamento após morte de menina no Santo Inácio

Grupo especial reforça policiamento após morte de menina no Santo Inácio

(Divulgação/SSP)
Ações também foram intensificadas na Mata Escura. Suspeitos atearam fogo a ônibus

O policiamento em Mata Escura e Jardim Santo Inácio foi reforçado após a morte da garota Geovanna, de 11 anos, na quarta. A Companhia de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) do Batalhão de Choque está nos bairros em busca dos criminosos que trocaram tiros com a Polícia Militar, resultando na morte da menina. Segundo a polícia, eles também são responsáveis por atear fogo a um ônibus no Jardim Santo Inácio na manhã de ontem. “Todos os policiais ficaram sentidos. Somos pais também. A quadrilha está identificada e vamos trabalhar para tirá-la de circulação”, diz o comandante da 48ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Sussuarana) , o major César Souza Ferreira, que atua na região.

Além do Choque, o Pelotão Especial Tático Ostensivo (Peto) da 48ª CIPM e das Rondas Especiais (Rondesp) Central estão na região intensificando o patrulhamento e fazendo abordagens a suspeitos.

Dois irmãos adolescentes foram presos durante um desses patrulhamentos, com drogas em uma casa. No celular de um deles, a PM encontrou mensagens de um traficante informando que na parte de cima a quadrilha estava na “atividade”, ou seja, indicando a fiscalização. “Aqui embaixo também atividade”, respondeu o adolescente.

“Esta é a nossa realidade. Dois adolescentes morando sozinhos e trabalhando para uma quadrilha. No outro caso uma mãe, grávida, com um filho envolvido e usando drogas na frente da outra filha. É neste cenário que descemos todos os dias e em alguns momentos o confronto acontece”, diz o major César.

O sepultamento de Geovanna aconteceu na manhã desta sexta-feira no Cemitério Municipal de Pirajá.

(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Bala perdida e morte
Os dois policiais militares que participaram de uma ação  que resultou na morte da menina Geovanna Nogueira da Paixão, 11 anos, na manhã de quarta-feira (24), terão que entregar as armas utililizadas no alegado confronto para a perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Após falarem sobre o incidente – os PMs contam que foram recebidos a tiros, por um grupo de suspeitos, na comunidade Paz e Vida -, os policiais devem continuar trabalhando normalmente. Isso porque, segundo a assessoria da corporação, não há nenhuma prova contra os PMs.

“Até o momento, não existem elementos que imputem a responsabilidade aos policiais, uma vez que os militares relataram um confronto”, diz o comunicado.

No dia do crime, Geovanna estava sentada no sofá de casa – um barraco improvisado -, quando resolveu sair para rua. Ela viu o avô, que chegava para fazer uma visita, e tentou ir ao encontro dele. Nesse momento, acabou atingida por um tiro na cabeça, e caiu na porta da residência.

Geovanna foi baleada na cabeça quando corria para ver o avô

Um estilhaço do projétil que matou a menina caiu no sofá onde ela estava sentada segundo antes, conforme contou ao CORREIO a avó da vítima, Valdete Maria Paixão, 66 anos. A comunidade e a família de Geovanna culpam a polícia pela morte.

“[Policiais], não venham dizendo que foi troca de tiros. Vocês precisam ser homens e assumir que mataram a minha neta. Se querem bandidos, vão procurar fora daqui”, desabafou Valdete.

De acordo com a vice-presidente da associação de moradores da comunidade, Cileide Gomes da Silva, os policiais estavam em um carro modelo Ford Ka, preto e sem padronização. O local, ainda de acordo com ela, é tranquilo e seguro.

“Foi um absurdo. Aqui só mora mãe e pai de família, crianças que brincam na rua. Não é a primeira que a polícia entra aqui dessa forma”, afirmou a líder comunitária.

A comunidade surgiu há cinco anos, e hoje moram lá 250 famílias. Geovanna vivia no local há cerca de oito meses com a avó, depois que os pais se separaram. O irmão mais novo dela, de apenas 5 anos, também presenciou o crime. A garota era aluna da Escola Municipal Jardim Santo Inácio.

“Meu neto quando viu ficou sem saber o que estava acontecendo com a irmã. Ele me perguntou: ‘por que ela estava deitada, vó?'”, relatou Valdete.

Veja Também

Caminhoneiros voltam a protestar contra aumento do diesel em estradas baianas

Foto: Reprodução / TV Bahia A terça-feira (22) começou com mais protestos de caminhoneiros em ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *