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Gerente de pizzaria é morto no Itaigara; família cita confusão com funcionária

Marido dela passou a rondar local, após discussão sobre atestado e advertência

Emanoel Brito Reis, 30 anos, começou como garçom e há quatro meses foi promovido a gerente da Pizza da Chapada, uma das mais requintadas do bairro do Itaigara, área nobre de Salvador. Ele tinha comprado uma Dafra 250 logo após a ascensão. Era apaixonado por moto e, em cima de duas rodas, foi que Emanoel deu início à luta por uma vida melhor.

Na madrugada desta quarta-feira (24), no entanto, sua trajetória foi interrompida por um homem que o baleou mais de uma vez quando ele tinha acabado de sair do local de trabalho. Emanoel ainda foi socorrido por uma equipe da Polícia Militar ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas morreu uma hora depois de dar entrada na emergência.

Ele será enterrado no Cemitério Campo Santo, na Federação, nesta quinta-feira (25), em horário ainda não divulgado. Emanoel era casado e deixa um filho de 10 anos. Emanoel morava com a família no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

Foto: Reprodução

O caso é investigado pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Nesta manhã, parentes de Emanoel foram ouvidos e disseram que o crime pode estar relacionado com uma discussão entre a vítima e uma funcionária que trabalha no caixa da pizzaria.

Há cerca de um mês, Emanoel havia advertido a funcionária por apresentar um atestado falso. Houve um bate-boca entre os dois. “O marido dela passou a circular lá de moto, como forma de intimidação”, contou o padrasto de Emanoel, José da Silva Camarino Filho, 53.

Crime
Emanoel foi baleado a pouco mais de dez metros da Pizza da Chapada, por volta das 23h. Segundo parentes, ele e outros dois funcionários tinham acabado de fechar o estabelecimento, que fica na Rua Érico Veríssimo, uma transversal da Rua General Antônio Sampaio, no Itaigara.

Os colegas saíram de moto e, ainda na Rua Érico Veríssimo, cruzaram com o assassino de Emanoel, que saiu detrás de uma das barracas situadas na Rua General Antônio Sampaio.

“Eles disseram que estavam na moto ainda em baixa velocidade e o cara chegou a olhar para eles, para ver se um dos dois era Manoel [como chama Emanoel], mas logo desistiu porque tinha visto Manoel saindo na própria moto e foi em direção a ele”, contou José.

José da Silva Camarino, 53, padrasto da vítima, falou sobre ameaças em depoimento à polícia

O padrasto da vítima relatou que os dois funcionários presenciaram o momento em que o gerente da pizzaria foi baleado. “Eles pararam a moto e quando viraram, viram o criminoso atirando em Manoel. O primeiro tiro o atingiu ainda sobre a moto. Com Manoel caído, ele [assassino]se aproximou e efetuou outros disparos. Depois, ele virou e atirou na direção dos funcionários, que saíram em disparada na moto”, disse. O autor do crime estava a pé.

Uma equipe da 13ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Pituba), acionada para o local por populares, socorreu Emanoel para o HGE. Ele deu entrada pouco depois das 23h50. De acordo com os policiais civis de plantão na unidade, o gerente chegou com várias perfurações no tórax. Ele morreu às 1h08 desta quarta-feira (24).

Briga
Parentes de Emanoel acreditam que o crime estaria relacionado com uma discussão entre o gerente e uma funcionária. O padrasto contou que há cerca de um mês, o gerente percebeu que havia um erro no fechamento do caixa e resolveu descontar a diferença no salário da funcionária responsável pela função no dia, conforme procedimento do estabelecimento.

“Ela não gostou e nos dias seguintes faltou três dias. Quando retornou, apresentou um atestado médico falso. O CID (sigla para Classificação Internacional de Doença e Problemas Relacionados com a Saúde) não coincidia com a doença discriminada. Então, ele comunicou os proprietários e ela levou uma advertência”, contou o padrasto.

Ainda de acordo com José, depois que a operadora do caixa levou a advertência, o marido dela passou a circular nos arredores da pizzaria.

“Ele passava de moto constantemente, o que antes não fazia. Olhava de cara feia para Manoel, intimidando-o”, relatou José.

O padrasto disse ainda que, apesar das intimidações, Emanoel não mudou sua rotina. “Ele acreditava que isso não fosse passar de um simples desentendimento de local de trabalho. Agora, infelizmente, essa tragédia paira sobre a nossa família. A mãe dele está em estado de choque”, disse.

Os donos da pizzaria estavam, pela manhã e no início da tarde, prestando depoimento no DHPP. Esta tarde, a Pizza da Chapada informou, por meio das redes sociais, que lamenta a morte de Emanoel e que não irá funcionar nesta quarta-feira. O local deve reabrir na quinta (25). “Hoje, 24.01, não funcionaremos em consideração ao excelente funcionário Emanuel, que foi vítima de violência urbana ao voltar para casa”, diz o comunicado.

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