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Alegria e amor próprio: a receita dos gêmeos Lala e Lola para vencer o preconceito

Para os irmãos, o que mais importa na vida é ser do bem e fazer o bem. Não guardar rancor, nem mágoa, muito menos vibrar negatividade. Para Lala, ser gordo, gay e negro não incomoda tanto as pessoas como o fato dele e do irmão serem alegres e de bem com a vida.
Alegria e amor próprio: a receita dos gêmeos Lala e Lola para vencer o preconceito
Foto: Arquivo pessoal

e. Esse é o lema de vida dos irmãos gêmeos de Feira de Santana Laércio e Leonardo Sena, de 24 anos. Negros, gordos e gays, juntos eles vencem diariamente uma série de preconceitos, quebram padrões e são pura alegria, coloridos e alto astral por onde passam. A dupla é peso pesado em brilho, aceitação e amor próprio e, em um bate-papo muito descontraído com a reportagem do Acorda Cidade, contou como é o dia a dia, sua história e muitas experiências bem divertidas.

Foto: Arquivo Pessoal

Pura sintonia e irmandade, Lala e Lola combinam em tudo. Irmãos gêmeos idênticos, um estuda moda, o outro gastronomia, e estão a maior parte do tempo juntos, dividindo momentos, sonhos e provando que o que mais importa é ser feliz e não fazer mal nenhum ao próximo.

Ser acima do peso sempre foi algo natural na vida dos irmãos. Lala conta que desde que eles se entendem como gente são gordos. Nunca houve problema com o corpo, principalmente porque em casa sempre tiveram apoio da família e a autoaceitação já vem de berço.

“Nossa família é toda gordinha e na nossa casa nunca teve isso de a gente se achar feio porque é gordo”, diz Lola.

A descoberta da sexualidade veio durante a adolescência e aconteceu na mesma época para os irmãos. Ser gay também nunca foi um problema entre a família. E se o caso for passar por algum lugar e alguém fizer um comentário maldoso que seja, para eles, pouco importa.

Originalidade e muito estilo no visual

Conectados com o mundo da moda, com o que acontece pelas redes sociais e com tudo que é tendência, os irmãos gostam muito de novidades e também de inovar no visual. Para eles, nada de peças simplesinhas e de pouca cor. A ordem é chamar a atenção e apostar nas cores, estampas, nos acessórios e nas customizações. Muitas peças eles encontram garimpando em lojas do centro da cidade e várias roupas são ideias próprias. Lala sonha em um dia quem sabe ter um ateliê e a sua própria marca de roupas.

Foto: Milena Brandão

Nem um pouco básicos, eles atraem os olhares por onde passam. Pelo visual, pelo estilo e também pelo comportamento de alegria e positividade. Para Lala, ele e o irmão são puro ‘tombamento’. Um pouco mais tímido, Lola comenta que também gosta de chamar a atenção, mas às vezes prefere ficar mais quieto.
“Quando a gente chega nos lugares, a gente não chama a atenção. A gente apavora. Eu gosto de causar tombamento. Sou do tipo assim: se eu entrar em um lugar e eu não for notado, eu saio e volto de novo para ser notado. Se eu entrar novamente e não sair notado, eu saio e já volto nu. Faço alguma coisa para ser notado. Sempre penso isso. Eu quero ser notado, quero que o povo venha falar comigo, que venha me perguntar de onde eu sou, falar que já me viu nas redes sociais e em algum lugar”, salienta Lala.

Foto: Milena Brandão

Cada qual no seu quadrado e julgamentos não importam

Os irmãos contam que nunca foram vítimas de homofobia e que não se importam com julgamentos ou comentários maldosos que as pessoas fazem. Para eles, o que valem são as opiniões dos amigos e das pessoas que por eles têm carinho e amor. Elogios e mensagens positivas passam a frente e contribuem ainda mais para aumentar a alegria.

Foto: Rachel Pinto

“Eu me sinto ótimo e adoro ser exemplo para outras pessoas. Adoro quando alguém que me acompanha diz que acha legal meu jeito de ser e de certa forma se contagia com a minha autoestima. Para mim isso é um máximo e não tem preço”, relata Lola.

Já para Lala, saber que pode alegrar o dia de alguém é algo muito gratificante. “Saber que eu mudei o dia de alguém também muda o meu dia. Eu fico muito feliz. Gosto de extravasar, ousar e quebrar os padrões. Como eu sempre falo: quero chegar em um lugar e apavorar. Não estou nem aí para o que as pessoas falam. Eu me amo, me aceito, me basto e me completo. Esse é o meu lema. Se fizerem comentários negativos eu nem ligo”, conta.

No meio artístico

Frequentadores de muitas festas, os irmãos adoram sair com os amigos e, além de Feira de Santana, passam muitos finais de semana em Salvador. Para eles, a capital tem muito mais opções de boates e casas de shows e a possibilidade de fazer mais amizades e conhecer novas pessoas. Tantas baladas e movimentações estão fazendo com que amadureçam a profissão de digital influencers, definam qual área vão seguir e também têm rendido bons encontros e cliques com muitos artistas. Em um show da cantora Ivete Sangalo, na cidade de Conceição do Coité, Lala foi sensação. Chamou a atenção da cantora, que o convidou para subir e dançar no palco.

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu estava lá de bobeira, curtindo minha festa, tomando minha cervejinha com os meus amigos e aí Ivete viu minha alegria, minha autoestima e meu brilho próprio e me chamou para o palco. Ela disse assim: ‘Eu estou brilhando aqui em cima e você aí embaixo. Você sabe dançar? Suba aí que eu quero dançar com você”, relembra.

Além de Ivete, vários outros artistas como Márcio Vitor, Cláudia Leite, Alcione e Mariene de Castro já interagiram, conversaram e brincaram com a dupla de irmãos.

Para Lala, ser gordo, gay e negro não incomoda tanto as pessoas como o fato dele e do irmão serem alegres e de bem com a vida.

“Eu percebo que as pessoas não se incomodam tanto por a gente ser negro, gordo e gay. O que mais incomoda os outros é porque somos felizes. Muita gente fica se perguntando de onde vem tanta felicidade. Não se importam muito pelo que somos, mas como estamos sempre sorrindo, brincando. Eu não tenho interesse em coisas negativas e com coisas ruins a gente não deve nem perder tempo”, declara.

Foto: Milena Brandão

Para os irmãos, o que mais importa na vida é ser do bem e fazer o bem. Não guardar rancor, nem mágoa, muito menos vibrar negatividade. Além da mensagem: Se ame, se baste, se aceite e se complete, para eles o ser humano tem que buscar ser grato a Deus pela vida e por todas as coisas. Agradecer e seguir em frente. E Lola finaliza: “Vamos seguir o baile pessoal”.

Conheça mais sobre essa dupla através do Instagram: @eulalasena e @leosilva_02

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